Por um amor vintage

A cútis feminina esticada, macia e sedosa um dia cansa. O desejo, em suas constantes mutações, obriga um jovem a amadurecer e correr atrás de pelhancas esburacadas, cotovelos com pele de saco escrotal, cabelos brancos, um inconfundível cheiro de alfazema e duas opções: com ou sem dentadura. Para se diferenciar dos posts de número ímpar de nosso amigo supersticioso Edoardo Vilhena, vamos agora com seis dicas infalíveis para tentar pegar uma sexagenária em plena decadência.

Na rua, esperando o sinal abrir:
“Posso ajudá-la a atravessar? Segure a minha mão e lhe levo do outro lado. Lá, a senhora poderia me dar seu telefone, pois jamais quero largar da sua mão?”

Na sala de espera do cardiologista:
“Abençoado seja o doutor para cuidar desse coraçãozinho”

Na aula de hidroginástica:
“O que essas pernocas não devem fazer fora da água, hã?”

Puxando papo na farmácia:
“A senhora poderia comprar Viagra e camisinha pra mim? É que tenho vergonha de pedir e com a senhora o farmacêutico pode pensar que é para o seu marido”.

Na piscina:
“A senhora de biquíni me lembra que adoro maracujá, sabia?”

Um bate-papo num café chique:
- Me perdoe a ousadia, mas posso lhe pagar um café descafeinado com adoçante?

- Mas eu tomo café normal.

- A senhora é bela demais para a cafeína acabar com seus cálcios e deixar o mundo sem ver esse sorriso com dentes lindos.

- Uso dentadura.

- Humnmnm, adoro gengivas… elas não machucam.


“Nada do que foi será de novo de um jeito que já foi um dia”. Brigitte Bardot e o caldo de ontem.

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