As fotos vazaram, e agora? – Parte II

(segunda parte do guia para mulheres publicado ontem aqui no Placa e originalmente postado em setembro de 2007 no Bloda)

É óbvio, mas é verdade: mantenha a calma. O momento descortina possibilidades a serem estudadas com parcimônia, porém sem esquecer a urgência da resposta solicitada pela situação.

Tome chá de sumiço
Esqueça o MSN, tire o celular da área, apague seu Orkut, fale somente com uma ou duas amigas de extrema confiança. Espalhe boatos diversos sobre seu paradeiro. É uma boa hora para demonstrar seu desprezo pelo reles mundinho onde todos estes fofoqueiros vivem. Jogue pistas sobre ter ido cursar algo na França, Espanha ou Guiné Bissau (pensando bem, esqueça a Guiné). Caso outro país esteja muito longe da sua realidade financeira, solte algo como “dizem que ela foi morar com um namorado novo em Minas ou no Rio, parece que o cara é engenheiro”. No tempo em que estiver reclusa, aproveite para se dedicar a alguma atividade que possa ajudar no futuro: aprenda tricô, pátina, programação em java ou implantação, manutenção e segurança de redes.

Negue com veemência
Opção mais perigosa dentre as apresentadas, a negação exige alto grau de encenação. Você precisa acreditar realmente que aquela das fotos não é você. Estude um pouco de Photoshop para aprender a descrever com bom nível de detalhes o suposto processo de transformação aplicado nas imagens. “Ele colou a minha cabeça ali! E você acha mesmo que eu tenho aquela pinta preta horrorosa na virilha?” (cuidado com essa desculpa, caso o próximo cara para o qual você fornecerá a bacurinha tenha visto as fotos, ele poderá desmentir sua história).

Negue com violência
Além de toda a interpretação empregada na opção veemente, a negação com violência demanda que você siga instruções de maior conhecimento técnico. Espalhe que “a Polícia Federal já está cuidando do caso e investigando todos os que passaram o e-mail”. Procure na Constituição, no Código Penal, no Código Civil, na Bíblia e nos livros da Zíbia Gasparetto todas as citações, parágrafos, artigos e vírgulas que possam ser empregados na sua defesa e no susto aos desocupados que estão repassando as fotos. Diga também que Terence, o fotógrafo, está encrencado e terá de responder perante a justiça/Deus/tumba da irmã Heralda pelos seus atos libidinosos.

Assuma com desdém
A depilação estava em ordem? Sua bratislava não possui aspecto de alface da semana passada? Então minha amiga, assuma a história. O constrangimento é grande, mas em um mês a turma pára de falar no assunto. Admitir que realmente é você no ensaio sensual também lhe dá mais crédito para que a sua versão da história prevaleça, já que, aos olhos da sociedade, você geralmente será a vítima. Confirme que o autor é Terence, diga que ele não vale nada e broxou três vezes durante o final de semana. A sessão de fotos, inclusive, era um dos meios que você estava utilizando para tentar levantar o encanamento do rapaz, “mas nem assim aquele imbecil conseguiu me comer”. Problema resolvido, parta pra outra.

Assuma com galhardia
Diga que era você sim, conte os detalhes do final de semana, comente as poses do ensaio, ressalte que o caso foi bom enquanto durou e que hoje você e Terence, inclusive, são muito amigos. Caso perceba uma boa receptividade das fotos no mercado, invista uma grana e faça um ensaio com um fotógrafo profissional. Envie as fotos para revistas masculinas, produção de programas de auditório e agências de modelo. Quem sabe não é o início de uma promissora carreira artística? Com alguma sorte você acabará estrelando um comercial de cerveja ou comandará a bateria de uma escola de samba.

About the Author

Meio gordo. @dodavilhena